Minas

Boechat critica Pimentel por defender Samarco e dizer que barragens eram seguras

O jornalista Ricardo Boechat, da Band News, condenou defesa da Samarco feita pelo governador de Minas. Segundo Boechat, atitude é imprópria para uma autoridade pública.

Expresso de Minas

O jornalista Ricardo Boechat, da Band News, reagiu em comentário veiculado na emissora de rádio nessa segunda-feira (09) à afirmação do governador Fernando Pimentel (PT) de que as barragens da mineradora Samarco que se romperam no distrito de Bento Rodrigues eram seguras. A frase foi dita pelo governador de Minas durante entrevista coletiva no domingo (08), em Mariana.

De acordo com Boechat, a defesa da empresa feita pelo governador petista é imprópria para uma autoridade pública. “Quando pouco porque recebeu dinheiro dela na campanha eleitoral”, disse o jornalista.

“Eu entendo que o presidente da empresa dê uma entrevista coletiva dizendo isto tudo. Mas ele (Fernando Pimentel)? O mínimo que ele tem que dizer é o seguinte: Olha, embora estivesse certificada a represa, nós vamos analisar novamente porque algo aconteceu e não estava previsto. Não podia estar, né governador?!”, questionou Boechat.

O acidente levou à liberação de 62 milhões de metros cúbicos de lama, o suficiente para encher 24.800 piscinas olímpicas. O distrito de Bento Rodrigues foi o mais atingido. Quatro mortes foram confirmadas. Há 23 pessoas desaparecidas e mais de 600 pessoas estão desabrigadas e alojadas no ginásio da cidade e em hotéis.

Íntegra da transcrição do comentário do jornalista Ricardo Boechat na Band News.

“Ele pode falar contra os procedimentos de fiscalização do estado porque ele é o governador. É o chefe das equipes que realizam estes trabalhos de fiscalização, de monitoramento. Mas é impróprio ele ficar fazendo um discurso de defesa da empresa. Quando pouco porque recebeu dinheiro dela na campanha eleitoral. Num momento como este, as pessoas perderam tudo, os prejuízos ambientais são incalculáveis, a região está desfigurada. Não voltará a ser o que era. Os rios mudaram de curso, os vales foram varridos do mapa. Então fica o governador dizendo que essas barragens eram seguras. Se eram seguras porque romperam? Ou melhor, a de baixo que era menor rompeu sob o peso da de cima, que era maior e foi rompida antes e carregou tudo. Mas a de cima rompeu por que? Então, o governador fica emprestando sua autoridade para ficar fazendo uma defesa da empresa que compete a empresa. Eu entendo que o presidente da empresa dê uma entrevista coletiva dizendo isto tudo. Mas ele? O mínimo que ele tem que dizer é o seguinte: Olha, embora estivesse certificada a represa, nós vamos analisar novamente porque algo aconteceu e não estava previsto. Não podia estar, né governador?! Então, é incrível como uma autoridade pública arrolha-se na tarefa de defender uma empresa que está sob suspeita de ter cometido um erro. Algum erro aconteceu porque senão a represa estava lá até agora.”

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