Esportes

Jogos Indígenas: campeões são premiados em Ladainha

Evento, realizado na reserva Maxacali Aldeia Verde, em Ladainha, foi viabilizado pelo governo de Minas e reuniu 600 atletas de 11 etnias.

Agência Minas 

Competição contou com disputa de modalidade semelhante aos esportes olímpicos

Depois de muita festa e esporte, foi encerrada domingo (3/7) a 4ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais. O evento, realizado na reserva Maxacali Aldeia Verde, em Ladainha, foi viabilizado pela parceria das secretarias de Estado de Esportes (SEESP), de Educação (SEE), de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) e de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac).

Na disputa de oito modalidades tradicionais, a etnia Xacriabá foi a que mais vezes subiu ao lugar mais alto do pódio. Representantes da tribo foram campeões no futebol feminino, cabo de guerra (masculino e feminino) e corrida do maracá (masculino e feminino).

A etnia Xucuri-Kariri sagrou-se campeã nas disputas do futebol masculino, zarabatana feminina e no arremesso de lança (masculino e feminino). A tribo Pankararu ficou com o título na competição masculina do arco e flecha. Já os Pataxós foram campeões na zarabatana masculina e derruba toco, nos naipes masculino e feminino. Os anfitriões da etnia Maxacali venceram as disputas do arco e flecha feminino e bodok masculino.

Para Itamar Maxacali, morador da Aldeia Verde, o sediamento dos Jogos Indígenas foi uma grande oportunidade de interação entre as diferentes etnias que residem em Minas Gerais. “Foi um momento de confraternização, mais do que de disputas. Nosso esporte é uma forma de interagirmos com as demais tribos e compartilhar a cultura peculiar de cada uma”, disse.

Segundo o indígena, o evento, que contou com a participação de cerca de 600 atletas de 11 etnias, foi realizado com sucesso. Com o fim dessa edição, o foco passa a ser os próximos Jogos. “As atividades esportivas fazem parte do dia-a-dia da Aldeia Verde. Praticamos as modalidades, realizamos campeonatos internos e começamos a nos preparar para os Jogos Indígenas quando faltam cerca de 2 meses para a competição”, contou.

Espírito olímpico na Aldeia Verde

A pouco mais de um mês dos Jogos Rio 2016, os Jogos Indígenas apresentaram algumas modalidades tradicionais bastante semelhantes aos esportes olímpicos que serão disputados a partir de 05 de agosto no Rio de Janeiro.

O derruba toco, modalidade realizada em um círculo de 3 metros cujo objetivo é fazer o adversário derrubar o toco colocado no centro da área de competição, tem semelhanças com o judô e a luta olímpica.

Já o arco e flecha se diferencia do tiro com arco pelo nome e pelo modelo dos equipamentos utilizados – os atletas de ponta contam com a tecnologia para aprimorar o desempenho nos torneios, enquanto os indígenas ainda utilizam armas produzidas de maneira artesanal. Na competição, a indígena e a olímpica possuem diferenças também na distância do alvo e na pontuação.

A corrida do maracá é uma espécie de revezamento, parecida com as provas de atletismo. No lugar do bastão, no entanto, vai o maracá, espécie de chocalho produzido pelos indígenas.

Já o arremesso de lança é parecido com o lançamento de dardo, prova que também integra as competições olímpicas de atletismo. Nas duas modalidades, vence quem atirar o instrumento mais longe. O futebol, também disputado nos Jogos Indígenas, utiliza as mesmas regras do esporte disputado nos Jogos Olímpicos.

Segundo Itamar Maxacali, apesar das semelhanças das modalidades, na Aldeia Verde existem poucos televisores e nem todos os moradores deverão acompanhar os Jogos Rio 2016. “Os mais jovens demonstram interesse, gostam de ver. Os mais velhos resguardam a cultura indígena e não têm o hábito de assistir TV”, contou.

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